De acordo com a consultoria Céleres, especializada em agronegócio, mais de 50% do milho plantado no Brasil em 2010 é geneticamente modificado. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança aprovou a primeira tecnologia para a cultura em 2008. O rápido avanço da adoção à biotecnologia pode colocar o País nos mesmos patamares de Estados Unidos e Argentina, onde respectivamente 85% e 60% do milho plantado já é transgênico, inclusive com combinações de diferentes genes.
As perspectivas são ainda mais animadoras para as próximas safras: os agricultores brasileiros poderão contar com os diferenciais da segunda geração de milho geneticamente modificado, o YieldGard VT PRO. Nesta entrevista ao Monsanto em Campo, o Gerente de Marketing – Milho & Sorgo, Sandro Rissi, explica os benefícios dessa nova tecnologia já aprovada na Austrália, Nova Zelândia, Japão, Colômbia, Canadá, Estados Unidos, União Européia (2009), Coréia do Sul, Filipinas e Taiwan.
Qual é a diferença da primeira geração para a segunda geração de milho geneticamente modificado (GM)?
A principal diferença é que a primeira geração de milho GM resistente a insetos contem em seu código genético um único gene oriundo do Bacillus thuringiensis (Bt), o que permite resistência as três principais pragas da cultura. A segunda geração, nomeada YieldGard VT PRO, tem inserido em seu código genético dois genes do Bacillus thuringiensis (Bt) que codificam duas proteínas de ação inseticida e com isso protege a cultura do milho de danos causados pelos insetos, com controle superior da lagarta do cartucho, broca do colmo e lagarta da espiga. Vale ressaltar que o Bacillus thuringiensis é uma bactéria encontrada naturalmente no solo, e formulações contendo esporos dessa bactéria têm sido utilizadas na agricultura há mais de 40 anos, para o controle de pragas em diversas culturas.
Com o controle mais efetivo dos insetos, o produtor não precisará de defensivos agrícolas?
O milho YieldGard VT PRO apresenta proteção superior contra os danos causados pelos insetos-alvo da cultura. No entanto, esse milho não protege as plantas contra o ataque de percevejos, ácaros, pulgões, entre outros. Desta forma, a adoção da tecnologia não elimina a necessidade de manter um efetivo monitoramento de pragas na lavoura para garantir os melhores resultados.
As proteínas da primeira e da segunda geração possuem origens diferentes?
Não. As proteínas inseticidas presentes na primeira e segunda geração de biotecnologia na cultura do milho para controle de lepidópteros pragas são codificadas por genes originados da bactéria de solo Bacillus thuringiensis (Bt).
Quais são os benefícios de culturas geneticamente modificadas resistentes a insetos, como o milho YieldGard VT PRO, para o meio ambiente?
Ao optar pelo cultivo do YieldGard VT PRO, o produtor proporciona benefícios ao meio ambiente, já que a tecnologia possibilita a redução da aplicação de inseticidas e do uso de produtos químicos, o menor consumo de água (com a redução da aplicação de inseticidas), o menor uso de combustível (por utilizar menos máquinas no campo), a redução da contaminação do agricultor que aplica os inseticidas (pela redução do contato com produtos químicos), a melhor qualidade de grãos (pela possível redução de micotoxinas) e consequentemente maior qualidade de vida do produtor.
O YieldGard VT PRO oferece benefícios diretos para o agricultor?
O maior benefício para o produtor, que resulta no melhor rendimento da safra, é o incremento de produtividade. Dependendo da região e do híbrido, pode chegar a mais de 10% em relação ao milho convencional. Já em relação à primeira geração do milho geneticamente modificado, a variação pode chegar a 7%. A biotecnologia é parceira do agricultor e alia tranquilidade com rendimento.
O milho YieldGard VT PRO é seguro para a alimentação humana e animal?
A segurança na dieta das proteínas contidas no YieldGard VT PRO presentes em alimentos e rações, derivadas deste milho geneticamente modificado foi avaliada quanto aos riscos para humanos e animais, e não apresentam toxicidade aguda e não causam nenhum efeito adverso, mesmo nas doses mais altas testadas em mamíferos. Portanto, o milho YieldGard VT PRO é considerado tão seguro, nutritivo e saudável quanto o milho convencional, tanto para a alimentação humana quanto animal.
Existe alguma recomendação diferente da primeira para a segunda geração?
A combinação de duas proteínas inseticidas de Bacillus thuringiensis na mesma planta viabiliza a implantação de uma estratégia mais efetiva de Manejo de Resistência de Insetos. Uma das proteínas inseticidas irá controlar os insetos praga que eventualmente apresentem resistência à outra proteína inseticida e vice-versa. Deste modo, o milho YieldGard VT PRO expressa duas proteínas Bt eficientes para o controle das pragas alvo, com modos de ação distintos e independentes, o que permite reduzir a área de refúgio. Agora o produtor terá de destinar 5% da lavoura para o cultivo de milho convencional, o que potencializa a produtividade.
E a área para coexistência? Ainda é necessária?
Conforme a orientação da CTNBio sobre este assunto, a distância entre uma lavoura comercial de milho geneticamente modificado e outra de milho não geneticamente modificado, localizada em área vizinha, deve ser igual ou superior a 100 (cem) metros ou, alternativamente, 20 (vinte) metros, desde que acrescida de bordadura com, no mínimo, 10 (dez) fileiras de plantas de milho convencional de porte e ciclo vegetativo similar ao milho geneticamente modificado. Ou seja, esta Resolução Normativa deve ser cumprida pelos agricultores que plantarem milho YieldGard VT PRO. A orientação também pode ser visualizada por meio do site www.ctnbio.gov.br.
Quanto a Monsanto investiu para o lançamento da nova tecnologia?
Para o desenvolvimento da tecnologia YieldGard VT PRO, a Monsanto investiu cerca de 10 anos e, aproximadamente, US$ 100 milhões.
Quais marcas da Monsanto irão disponibilizar a tecnologia?
As marcas que possuirão a Tecnologia YieldGard VT PRO em seus híbridos são Dekalb, Sementes Agroceres e Agroeste.
A Monsanto licenciou a primeira geração de milho geneticamente modificado para outras empresas. Isso também acontecerá com a segunda geração?
Neste primeiro momento, de lançamento da tecnologia, apenas as marcas Dekalb, Sementes Agroceres e Agroeste possuirão a Tecnologia YieldGard VT PRO.
