Homem e animal não são assim tão diferentes - Sabine Radke  
  Publicação: 12/08/2006 13:31  
 



A Homeopatia tem por objectivo atingir a cura de uma doença estimulando o próprio organismo a combater a patologia. Esta medicina alternativa que vai dando os primeiros passos em Portugal, pode também ser aplicada em animais. Sabine Radke, alemã de nascença e maiata de adopção, é uma das percursoras do tratamento homeopático em animais no nosso país, como contou em entrevista ao MaiaHoje.

Maia Hoje - Como chegou à Maia?

Sabine Radke - Já estou em Portugal há 17 anos e no início vivi no Porto. Há cerca de 12 anos procurei uma casa que ficasse mais perto da cidade, mas mais ou menos no campo, numa zona verde, e encontrei um sítio muito bonito em Camposa, Folgosa.

MH - Em relação à Homeopatia como começou o seu interesse por esta medicina alternativa?

SR - Na Alemanha, a Homeopatia, seja humana ou animal, é muito forte e divulgada. Na minha família, a minha mãe começou muito cedo a curar-nos com a homeopatia, e como tal desde criança que conheço a Homeopatia e as terapias alternativas. Depois comecei a tirar o meu curso no ano de 2000 na Alemanha, apesar de já estar em Portugal.

MH - Quais são os princípios da Homeopatia?

SR - É uma terapia alternativa e chama-se holística porque vê o ser como um todo. É muito importante não ver só a doença em si, mas o ser humano ou animal no seu conjunto, quer físico, quer psíquico. Isto é muito importante porque se uma destas partes não funciona bem, a outra também tem influência nisso. A Homeopatia funciona de forma a que através do medicamento se dê um estímulo ao corpo da pessoa ou animal para que o organismo por si comece a funcionar e active as próprias forças de cura. É o próprio organismo da pessoa ou animal que se cura.

MH - Quais são as grande vantagens da Homeopatia?

SR - A grande vantagem é que tenta descobrir a causa da doença e não eliminar apenas os sintomas. Esta é a sua grande vantagem. Em segundo lugar não tem efeitos secundários como os medicamentos convencionais. Às vezes, há reacções iniciais quando se começa a terapia e é possível que alguns sintomas se agravem ligeiramente mas isto não é um efeito secundário, é uma reacção que me mostra que o organismo começa a reagir. Na Homeopatia é um bom sinal, mas claro que é preciso muito cuidado e tem que se explicar às pessoas que não conhecem.

«Há sempre diferenças, mas as reacções às vezes são iguais e os sintomas também... Mas no geral, não são assim tão diferentes (Homem e Animal)»

MH - Há grandes diferenças entre o tratamento de seres humanos e animais?

SR - Há sempre diferenças, mas as reacções às vezes são iguais e os sintomas também. Tenho de me guiar pelos sintomas como a tosse, a febre e as dores que são muito parecidos entre os dois. Mas no geral, não são assim tão diferentes.

MH - Como se processa o tratamento?

SR - Uma consulta homeopática é diferente de uma veterinária. Pode demorar duas ou três horas porque é preciso fazer o perfil completo do animal e é preciso uma observação muito rigorosa. O que na Homeopatia interessa não são os sintomas óbvios, mas as particularidades que o animal tem e que temos de descobrir. Esta primeira consulta demora bastante tempo. Depois são consultas de acompanhamento para ver as reacções e se eventualmente é preciso alterar ou ajustar o medicamento. Em geral, prefiro fazer três consultas... a primeira que falei, a segunda de controlo e a terceira também de controlo e para ver se o caso está resolvido. Mas depende de caso para caso. Quando são doenças crónicas, a cura demora muito tempo.
Normalmente, os tratamentos são feitos ao domicilio porque isso tem muitas vantagens. O animal fica no seu ambiente habitual e mostra-me o seu comportamento normal. Quando se leva o animal a um consultório o seu comportamento fica alterado porque fica nervoso.

MH - Que tipos de medicamentos são utilizados?

SR - Medicamentos de plantas, animais e minerais. Alguns na sua forma pura são tóxicos, mas depois do processo a que é submetido perdem essa toxicidade.

MH - Que tipo de animais podem ser tratados?

SR - Em princípio todos os animais. A minha especialização é de animais de estimação (cães e gatos), mas já tratei animais pequenos como hamsters e também cavalos e gado.

«As pessoas procuram mais a ajuda homeopática quando são casos crónicos, porque a doença existe há muito tempo e a medicina convencional chega até só um ponto e não até à cura»

MH - Em termos de doenças, a Homeopatia pode ser utilizada com qualquer patologia?

SR - Há algumas mais difíceis. Em casos agudos, a Homeopatia pode reagir rapidamente e em doenças crónicas a reacção é mais lenta. Às vezes, o animal teve durante muitos anos medicação convencional e então existem bloqueios que impossibilitam haver uma reacção. As pessoas procuram mais a ajuda homeopática quando são casos crónicos, porque a doença existe há muito tempo e a medicina convencional chega até só um ponto e não até à cura. Também em problemas psíquicos e de comportamento.
Também há situações em que aconselho visitarem o veterinário porque a situação é muito grave. Tenho casos por exemplo de cadelas com cancro da mama e por vezes os resultados regridem lentamente e outras não, mas em geral tenho bons resultados.

MH - Qual é o animal que mais trata?

SR - São cães e em segundo lugar gatos.

MH - É muito procurada?

SR - As pessoas que já conhecem a Homeopatia e que a procuram para si, depois também a procuram para o seu animal. Mas esta prática cá é muito desconhecida e portanto, as pessoas não sabem que a podem procurar. Mas quando sabem são muito interessadas.

MH - Quando as pessoas a procuram pela primeira vez, qual é a reacção?

SR - As reacções variam muito de pessoa para pessoa. Alguns clientes não sabem o que é a terapia homeopática mas como o animal precisa de ajuda e de uma ajuda diferente, porque muitas vezes o animal já fez todo o percurso tradicional, começam a procurar outras alternativas. Às vezes sabem através de outras pessoas ou de artigos, e então querem experimentar. Algumas pessoas nem querem saber o que se faz, outras já conhecem e então experimentam.

MH - Para o futuro quais são os seus projectos?

SR - Gostava de ter um espaço onde as terapias alternativas pudessem trabalhar em conjunto. Há a acupunctura, o reiki, os florais de Bach que de vez em quando também utilizo, e penso que seria bom que isso pudesse funcionar em conjunto.

António Manuel Marques - Maia Hoje - Maia,Porto,Portugal

 
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