Flavio José de Souza Brando (1)
Sinceramente não consigo deixar de sentir uma certa sensação de desconforto quando vejo empresas e ou fundos de capital exclusivamente especulativo financiarem empresas que se auto classificam como, digamos, " negocios verdes". Mesmo aquelas com capital de origem essencialmente brasileira. Pessoalmente acho que o dinheiro não tem mais pátria, seus donos não tem rosto nem qualquer escrúlupo. Seu credo é o próximos lucro financeiro.
Assistimos investidas em todas as partes do Brasil, principalmente no Centro Oeste e na Amazonia, onde estas empresas que trazem suas malas cheias de alguns "generosos" euro-dólares, vem ao nosso país representando fundos financiados por grandes conglomerados financeiros que estão muito longe de se preocuparem com a sustentabilidade socio-ambiental inerente ou a exequidade de projetos que possam realmente beneficiar ou melhorar a qualidade de vida das populações que vivem (e dependem) diretamente da extratividade destes biomas.
Qual destas empresas realmente desenvolveram projetos que tenham contribuido para preservar culturas e florestas nativas locais? O que realmente move os interesses que estão por trás desses investimentos ? Será que os produtos de origem exclusiva da floresta amazônica brasileira estariam sendo - mais uma vez- indiretamente expropriados?
Tomei conhecimento de alguns casos em que o milenar conhecimento adquirido por gerações de comunidades indígenas brasileiras e produtos locais, são comprados a preços vis e depois são levados do nosso país com as bençãos ou pela total omissão de nossas autoridades fiscalizadoras.
Contínuamente, assistimos atônitos, produtos essencialmente brasileiros irem aos poucos, se tornando os principais principios ativos de produtos cujas patentes e ou marcas de cosmeticos vendidas em todo mundo através de um marketing, digamos, baseado em "responsabilidade ambiental e social", acabam sendo vendidas para grandes grupos multinacionais. Para ilustrar, cito o recentíssimo caso da The Body Shop, que acabou de ser comprada pela gigante francesa L`Oréal, pela inacreditavel soma de 1,14 bilhão de dolares. Boa parte dos produtos da TBS, são ainda originados pela hoje bastante preocupada Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Lago do Junco (MA), onde da qual fazem parte 147 famílias que já se mostram bastante apreensivas com a venda da BS. Estas familias vivem da venda média de 50 toneladas de óleo de babaçu para a empresa britânica e faturou R$ 1,2 milhões em 2007. Ninguem sabe se a L`Oréal irá continuar as compras. A empresa francesa ainda não se manifestou sobre os desdobramentos da aquisição da BS. Me pergunto então, qual a participação de cooperativas como estas na valorozação das ações de empresas como a TBS? Será que a TBS chegaria a esta impressionante valorização sem os insumos brasileiros? Dá o que pensar não acham?
Acho que os bravos garotos e garotas do Ministerio Publico deveriam estar monitorando mais atentamente as atividades e a forma como estas empresas operam ou vem operar aqui, na nossa tão cobiçada Amazonia.
vejam a notícia abaixo:
Capital de risco para empresas sustentáveis - 27/12 - 11:57 - (fonte) Agência Estado
Os investidores de venture capital - ou capital de risco - estão abrindo espaço para os chamados negócios verdes. Especializados em garimpar empresas emergentes, esses investidores dizem que o ambiente de negócios está favorável a companhias com boas práticas sociais e ambientais.
Empresas de reciclagem, energia limpa, produtos florestais certificados e orgânicos estão entre as preferidas do capital de risco. No Brasil, fundos como Stratus, AxialPar e Rio Bravo e a Finep, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, já apostam suas fichas nessa tendência.
Lá fora, esse mercado é forte: entre 2000 e 2004, os investimentos superaram os US$ 7 bilhões, segundo a Cleantech Venture Network, rede internacional que reúne investidores em tecnologias limpas. Até 2009, esse mercado deve movimentar mais US$ 10 bilhões.
Empresas inovadoras Atrair investidores para empresas inovadoras com foco em sustentabilidade é o desafio do Programa New Ventures, realizado no Brasil pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela ONG americana World Resources Institute (WRI). Com orçamento anual de US$ 80 mil - bancados por parceiros como ABN Amro Real, Natura e Fundação Alcoa - o programa já apresentou 33 empresas para investidores.
O programa existe há três anos no Brasil, mas já atuava desde 1999 em países como México, Peru e Índia. Desde então, atraiu US$ 18 milhões em investimentos para negócios verdes. O Brasil responde por 30% do total. "Buscamos boas idéias de negócios, que possam atrair o interesse de investidores e financiadores, como bancos", diz André Carvalho, pesquisador da FGV e coordenador do New Ventures Brasil.
A Florestas Cosméticos, de Guarulhos, é uma das finalistas da última edição do programa. A empresa foi criada em 2002, para explorar o crescente mercado para cosméticos naturais e orgânicos. Seu foco é o mercado externo, em especial Europa, EUA e Japão. A empresa aposta em ativos fitoterápicos brasileiros - buriti, cupuaçu, andiroba, copaíba - sem aditivos químicos, e conquistou a certificação Ecocert, para produtos orgânicos, o que abriu as portas do mercado internacional para sua marca Ikove.
"O segmento de cosméticos orgânicos cresce em torno de 20% ao ano nos países desenvolvidos. Só na França, cresceu 40% em 2005. E isso enquanto o mercado de cosméticos convencionais cresce 3,5%", diz Fernando Lima, sócio da Florestas.
A partir da iniciativa New Ventures, a empresa negocia um investimento de R$ 3,2 milhões com fundos de venture capital. "Com os recursos, vamos criar dois centros de bem-estar para divulgar a marca, em São Paulo e Nova York", diz Lima.
Risco De acordo com André Carvalho, da FGV, esse é o típico perfil de empresa que os investidores brasileiros buscam. "Os fundos querem investir em empresas que já caminham com as próprias pernas, que têm negócios estruturados e produtos com mercado garantido ", explica. "Curiosamente, o investidor de capital de risco aqui é bastante avesso ao risco", brinca.
Investidores institucionais, como fundos de pensão - Petros, Previ - e o próprio governo já começam a se interessar por essa indústria. A Finep lançou, há duas semanas, um edital para um programa que prevê R$ 80 milhões para projetos de energias limpas, que proporcionem a redução do efeito estufa. "Vamos financiar empresas que queiram, depois, comercializar créditos de carbono", diz Eduardo Adauto da Costa, chefe do departamento de energia e TI da Finep.
A AxialPar administra fundos de venture capital especializados em sustentabilidade. "Buscamos empresas que dominem tecnologias ambientais, promovam a inclusão social e sejam rentáveis", explica Paulo Bellotti, diretor da AxialPar. O fundo já fez investimentos de R$ 50 milhões em cinco empresas, sendo que três delas cresceram acima de 50% este ano: a Naturalle,de sojas funcionais e orgânicas; a Mar&Terra, de piscicultura, e a Rio de Una, de vegetais e frutas orgânicas.
"Cada uma das três faturou de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões em 2006", diz Bellotti. Agora, o fundo está captando recursos junto ao BNDES e o Banco do Brasil para investir R$ 60 milhões em novos empreendimentos, provavelmente nas áreas de microcrédito e energias alternativas.
Já o Stratus Banco de Negócios, especializado em fundos de venture capital, criou o Stratus VC III, com R$ 60 milhões (obtidos junto a instituições como o BNDES, BID, Finep e Petros) para investir em empresas nas áreas de commodities diferenciadas (alimentos orgânicos e funcionais), tecnologias limpas e biodiversidade brasileira. "Devemos definir dois investimentos já nesse primeiro semestre de 2007", diz Philippe Lisbona, diretor do fundo.
Gente, vamos "cutucar" os garotos e garotas do MP para observarem isso com mais atenção ou daqui a pouco, do jeito que a coisa esta sendo conduzida por ai, os brasileiros estarão pagando entrada para ir à Amazônia.
É ver o que e como vai acontecer...
(1) Flavio José de Souza Brando: é advogado e presidente da Comissão de Precatórios da OAB-SP e vice-presidente da Comissão de Precatórios da OAB Nacional.
Publicação Portal Zoonews